O mercado do feijão começou outubro com comportamentos diferentes entre os dois principais tipos comercializados no país. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações do feijão-carioca tiveram variações predominantemente positivas, enquanto as do feijão-preto alternaram altas e baixas nas regiões acompanhadas.
A diferença de trajetória ocorre em um período de oferta mais restrita, durante a entressafra, e de compras internas concentradas na reposição dos estoques do varejo. Nesse contexto, o acompanhamento das condições de campo e da disponibilidade de grãos ganha peso para produtores, compradores e demais agentes da cadeia.
Mercado do feijão acompanha oferta e reposição do varejo
De acordo com o Cepea, as negociações domésticas seguem focadas principalmente em recompor estoques, sem indicação de uma mudança ampla no padrão de compras. A oferta restrita da entressafra pode deixar o mercado mais sensível às variações regionais de disponibilidade e qualidade, embora o comportamento observado não seja igual para o carioca e o preto.
No feijão-carioca, a predominância de oscilações positivas indica maior sustentação das cotações nas praças acompanhadas pelo Centro de Pesquisas. Para o feijão-preto, a alternância entre altas e baixas aponta para um mercado menos uniforme entre regiões. Sem valores específicos de preço no recorte divulgado, não é possível quantificar a intensidade das variações ou comparar níveis entre os dois produtos.
Clima interfere na semeadura da safra 2026/27
No campo, as chuvas têm limitado o aproveitamento das janelas de plantio. No sudoeste paulista, a elevada umidade exige atenção ao manejo fitossanitário, em razão do risco de maior incidência de doenças. A possível intensificação do El Niño acrescenta incerteza ao planejamento, segundo o Cepea, e reforça a importância de acompanhar as condições locais conforme a semeadura avança.
A perspectiva de redução da área cultivada nos estados do Sul na safra 2026/27 também mantém o setor atento ao abastecimento futuro. Como se trata de uma expectativa, e não de um resultado consolidado, a evolução da área efetivamente semeada e das condições das lavouras será determinante para dimensionar a oferta ao longo do ciclo.
O quadro climático pode afetar tanto o calendário quanto o manejo das lavouras. Chuvas que dificultam a entrada no campo podem reduzir as oportunidades de plantio dentro das janelas previstas; em áreas com umidade elevada, a atenção fitossanitária se torna parte importante do acompanhamento da cultura. Os efeitos, contudo, dependem da região e do desenvolvimento observado em cada lavoura.
Exportações recuam e importações avançam em setembro
No comércio exterior, as exportações de feijão diminuíram e as importações aumentaram em setembro, na comparação com agosto. Mesmo com essa mudança mensal dos fluxos, a balança comercial permaneceu superavitária, de acordo com pesquisadores do Cepea.
O saldo positivo precisa ser interpretado junto à composição dos embarques: as exportações se concentraram em tipos diferentes daqueles predominantes no consumo doméstico. Por isso, o superávit comercial não significa, por si só, que o produto exportado substitua diretamente os tipos mais procurados no mercado interno.
Pontos para acompanhar no curto prazo
A leitura do início de outubro reúne fatores de mercado, clima e comércio exterior. Entre os principais pontos destacados pelo Cepea estão:
- Cotações: movimentos predominantemente positivos para o carioca e comportamento misto para o preto.
- Demanda interna: compras concentradas na reposição dos estoques do varejo durante a entressafra.
- Safra 2026/27: chuva, umidade elevada e possível redução de área no Sul são fatores de atenção para o plantio e o abastecimento.
- Comércio exterior: exportações caíram e importações subiram em setembro ante agosto, mas o saldo permaneceu positivo.
A combinação desses fatores mantém o setor atento à evolução da semeadura e à oferta disponível. Os próximos dados de campo e de mercado ajudarão a mostrar se as diferenças entre os tipos e regiões persistem, sem que o comportamento observado no início do mês, isoladamente, determine a trajetória das cotações nos próximos períodos.
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